Para Entender RP/RP em Expressão  


Manhêêê! Quando eu crescer quero ser Relações Púúúblicas!, por Victor de Carvalho* 

    Frase estranha essa do título, né? Tenho absoluta certeza que ninguém aqui, no auge dos seus 7 anos de idade, balbuciou tais palavras. Também aposto que nenhum felizardo (ou não?) pai de uma radiante criança de 7 anos escutou tal frase. Então, o que leva um jovem já amadurecido a escolher tal carreira? Convenhamos, escolher e estudar relações públicas não é tarefa das mais fáceis. Muitas incertezas e dúvidas corriqueiras sobrevoam a cabeça dos estudantes - e isso só durante os estudos! Nem se fala na hora de pôr o pé no mercado!

    Desde o primeiro ano de faculdade, o jovem e corajoso estudante de relações públicas está sujeito a um constante turbilhão de emoções. Agora, por que toda essa confusão? Definitivamente, exercer a profissão de relações públicas é algo muito empolgante! Pô, qual é?! Trocamos idéias com os mais variados tipos de pessoas; comunicamos nossas idéias das mais variadas formas e pelos mais variados meios; damos "nossa cara" aos públicos de interesse; temos um leque absurdo de oportunidades e escolhas; aprendemos teorias interessantíssimas e que funcionam muito bem na prática... E isso é só o começo! Nesse momento, nosso bravo acadêmico encontra-se em um estado de espírito de pura tranqüilidade e alegria, gozando da certeza: "Relações Públicas é a melhor e mais promissora profissão do mundo!!!". Porém, comendo pelas beiradas, surgem pequenos, porém freqüentes, problemas que assombram o estudo da profissão - e a profissão em si. Não são todas as empresas que têm ciência do nosso valor; o mercado é bem apertado (apesar de, aos poucos, estar se abrindo); assistimos engenheiros, advogados etc exercendo nossa função - praticamente sempre de maneira porca -; demora um tempo até começarmos a, realmente, ver a cor do dinheiro; somos bombardeados com frases como "RP serve cafezinho!" "RP? Que é isso? Como que faz?" etc... Ih, agora a coisa começa a complicar!

    Meus amigos, acabo de apresentar-lhes os principais motivos das desistências universitárias! Imagine a cabeça de um jovem que ainda não tem o futuro concretizado quando se depara com tais probleminhas? Pois é, a eles basta pedir coragem. O jovem, que se precipitando acredita que a profissão seja a oitava não-maravilha do mundo, encontra-se em um estado de desespero e suor frio. Somado isso com a pressão dos familiares, piadinhas chatíssimas de colegas de faculdade e/ou trabalho, a grande vontade de ganhar muito dinheiro, muito rápido etc, só pode resultar em coisa não muito boa. Em outras palavras: De-sis-tên-cia.

    Fato consumado é que, o jovem da geração "live fast, die young" (em bom português: "viva rápido, morra jovem". Ok, ninguém vai morrer por isso, mas eu não podia deixar passar o bordão.), não se encaixa no perfil do profissional de relações públicas. Afinal, apressado come cru, meu chapa! O estudante de relações públicas necessita ter uma paciência de monge na faculdade - o mesmo se repete no mercado de trabalho. Afinal, grande parte da nossa profissão baseia-se em planos a longo prazo. Desde que saia tudo bem feito, que mal tem, hein?

    Acredito que, a faculdade nos dias de hoje, age com ação "filtradora" sobre a honrosa profissão de relações públicas. Sairá formado da faculdade de relações públicas o estudante que tiver paixão pela sua escolha e paciência para atingir seus sonhos um de cada vez. A frase preferida de 10 entre 10 orientadores vocacionais: "Se você fizer o que gosta, não ligando para o dinheiro, será feliz na sua profissão." cai como uma luva (gorro?) na cabeça dos estudantes de RP. Não que não seja possível enriquecer com a profissão. Como toda ótima profissão, há uma boa chance de enriquecer exercendo a prática de relações públicas, principalmente quando tal chance é acompanhada pela sábia escolha de fazer uma especialização/mestrado/doutorado. Mas, discutir sobre como e em quanto tempo ganhar dinheiro com relações públicas, não se encaixa aqui.

    Finalizando com uma visão pessoal, a faculdade de relações públicas, mesmo com algumas incertezas e questões não tão bem resolvidas, vive seu melhor momento. Principalmente por dois motivos: A freqüente presença de grandes pesquisadores das comunicações, seja lecionando, seja publicando e o reconhecimento que, finalmente, estamos ganhando a cada dia que passa. Também acredito que esta nova geração (2000 em diante) de formandos de relações públicas será a melhor geração de profissionais que a profissão já teve. Nunca o formando de relações públicas teve tantas grandes teorias para pôr em prática, tantas maneiras diferentes de comunicar, tantos assuntos interessantes para debater etc. A faculdade tem momentos extremamente árduos, mas alegrias absolutamente positivas no crescimento humano e profissional do cidadão RP. Para os sábios e corajosos estudantes de RP, três palavras: Paciência, dedicação e amor. Ó que dica valiosa, hein? Com estas duas coisas, não é só a carreira profissional que dá certo, não é?

    Enfim, você, que está começando agora, está estudando ou está se formando, meus sinceros parabéns! Espero encontrá-lo em algum seminário, turma de pós-graduação ou empresa por aí. Agora, você, que está pensando em desistir, está desistindo ou já desistiu, pense bem, amigo(a)! Eu sei que às vezes a coisa pode amedrontar um pouco, mas, êtcha profissão gostosa, viu!


     * Victor Nascimento de Carvalho cursa Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas na Universidade de Taubaté/SP. Ele escreve em seu diário-virtual pessoal http://comunicacaoatsight.blogspot.com. Contato pelo email: victornc89@uol.com.br .

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