Para Entender RP  

Categorização das Agências Experimentais de RP no Sul do Brasil 
 

Segundo a pesquisa exploratória, constatamos que na região sul, as instituições de ensino superior com curso de Comunicação Social habilitação em Relações Públicas, possuem quinze agências experimentais. Deste total, doze instituições participaram da pesquisa. Com os dados obtidos através dos questionários aplicados aos responsáveis pelas Agências Experimentais, construímos quadros de categorias sobre o que eles estavam entendendo a respeito de uma Agência Acadêmica de Relações Públicas. Os cinco conceitos encontrados formam: modelo I: laboratório Experimental, modelo II: agência integrada de comunicação, modelo III: assessoria de relações públicas, modelo IV: projeto experimental de relações públicas e modelo V: atividades de pesquisa, ensino e extensão.  

Modelo I: Laboratório Experimental
No modelo I, encontramos o conceito de que as Agências Experimentais de Relações Públicas são laboratórios, exigidos pela Resolução n° 03/78 do MEC. Das doze agências experimentais, seis se classificam como laboratórios, significando metade do nosso universo de estudo.
 

    Segundo Moura (2002), desde a criação até a regulamentação do curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas no Brasil, existiram cinco currículos mínimos implantados e mutáveis com o objetivo de melhor preparar os estudantes para o mercado de trabalho: "Quanto as diretrizes, o curso deve aliar a formação teórica ao aspecto prático do ensino e ao fornecimento ao aluno, do instrumental teórico ao aspecto prático do ensino de intervenção."  

    Das seis agências que se conceituam como laboratório experimental, cinco diz possuir um professor responsável. Apenas uma instituição possui dois professores responsáveis pela mesma agência.Quando questionados acerca do número de estagiários que trabalhavam na agência, duas das seis agências disseram possuir dois estagiários, duas quatro estagiários e as outras duas, seis estagiários.  

    Cinco das seis instituições de ensino citam como a ação mais enfatizada o planejamento, em seguida a criação, a coordenação e a execução de eventos. Apenas uma universidade citou assessoria, consultoria e pesquisa na área de Relações Públicas.  

    Todas as seis agências atendem a própria universidade como público interno. Mas uma delas se restringe a atender apenas o público interno. As outras cinco atendem a comunidade em geral e as instituições sem fins lucrativos.  

    Dos seis entrevistados, em nenhuma agência experimental o laboratório é disciplina curricular obrigatória. Quanto a infra-estrutura grande parte dos pesquisados conta com computadores, impressoras e scanners. A minoria privada citou possuir linha telefônica, zip drive, vídeo cassete, TV, maquina de escrever, calculadora, filmadora, gravador , rádio com tape e CD.  

Modelo II: Agência Integrada de Comunicação
As Agências Integradas de Comunicação desenvolvem a comunicação integrada, que é caracterizada pela união das três áreas da Comunicação Social: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, como sendo o conjunto das comunicações. Das doze Agências Experimentais pesquisadas, três se conceituam como Agência Integrada de Comunicação.
 

    A professora Margarida Kunsch (1986) escreveu: "É necessário que haja comunicação integrada, desenvolvendo de forma conjugada as atividades de comunicação institucional e comunicação mercadológica"  

    Nossa pesquisa constatou que as três Agências Integradas de Comunicação possuem dois professores responsáveis pela agência. Um da área de Relações Públicas e o outro da área de Publicidade e Propaganda.Nenhuma delas possui um professor responsável pela área de Jornalismo.Das três agências, uma possui doze estagiários trabalhando de maneira integrada. Outra conta com quatro estagiários, e a última afirma trabalhar com dois estagiários.  

    Quando questionados sobre as ações mais realizadas pela agência, todas as três citaram a produção de eventos como a principal atividade, seguida da produção e execução de cerimonial e protocolo.Cada uma delas realiza outras funções: Atividades de integração agência e alunos, campanhas de vídeos, spots, além de produção de material gráfico, organização e planejamento da semana acadêmica e extensão cultural destinado a comunidade regional.  

    Quanto aos públicos das Agências Integradas, todas prestam serviços a universidade como público interno. Apenas uma se restringe a atender somente a universidade, não possuindo público externo. As outras duas agências se dedicam também ao público externo. Uma trabalha com sindicatos, associações, instituições governamentais sem fins lucrativos e organizações não governamentais e a outra atende a comunidade através de programas de extensão cultural. Das três Agências Integradas duas não são disciplina curricular, apenas uma é cadeira curricular obrigatória.  

    Quanto a infra-estrutura todas contam com computadores e impressoras.Uma diz possuir linha telefônica. Outra além dos computadores e das impressoras possui um scanner, e um zip drive. A outra agência além dos computadores e das impressoras, tem uma máquina digital, um aparelho telefônico, uma TV, um aparelho de som e dois note boocks, além dos micros já citados.  

Modelo III: Assessoria de Relações Públicas
Para o modelo III constatamos que das doze agências do nosso universo ,apenas uma se conceitua como uma Assessoria de Relações Públicas.
 

    Esta única agência auto-conceituada como Assessoria de Relações Públicas, conta com cinco professores responsáveis, e não informou o número de estagiários .As ações mais realizadas: produção de eventos, pesquisa e planejamento de Relações Públicas.  

    Para Andrade (1983): "Assessoria é um instrumento consultivo da administração, que pode ser tanto um consultor como uma comissão. É um departamento responsável pela elaboração de normas e métodos para execução das funções especializadas da profissão."  

    Segundo a citação n° 38 de Andrade, esta Agência Experimental de Relações Públicas denominada Assessoria, realiza apenas três das dezenove funções citadas acerca das atribuições realizadas por uma assessoria, remetendo nossa pesquisa ao questionamento do conceito mais adequado, que esta agência acadêmica deveria ter ou assumir, isto é, até que ponto a denominação acima corresponde a uma Assessoria de Relações Públicas?  

    Confirmando nossa argumentação o Relações Públicas Bernardo de Felipe Júnior esclarece: "Entre as assessorias, há aquelas que desenvolvem verdadeiro trabalho de consultores em relações públicas, e outras que se dedicam a tarefas específicas ou chegam a grande especialização, executando quase que exclusivamente um só tipo de serviço e outras funções, praticamente agências de serviços de relações públicas."  

    Esta agência quando questionada sobre seus públicos e se havia obrigatoriedade curricular relatou que: seus públicos se dividem em "público interno (universidade), e externo (Instituto de pesquisa Curitiba e alguns clientes para campanhas)", e esclareceu não ser cadeira obrigatória.  

Modelo IV: Projeto Experimental
Apenas uma das doze agências se conceitua como Projeto Experimental. Esta agência conta com um professor responsável e dois funcionários, e seu projeto experimental é uma cadeira obrigatória e conta com um aluno bolsista, e com os alunos matriculados. O público desta agência é unicamente o público interno, ou seja a universidade.
 

    A agência possui um computador, um monitor e uma impressora.Suas principais ações são: sondagens, pesquisas de opinião pública, diagnósticos, planejamentos estratégicos e produção de eventos.  

    Diferente de outras universidades que desenvolvem o Projeto Experimental fora da instituição, esta atende a determinação da Resolução número 02/84, do Conselho Federal de Educação, que estabelece no Artigo 3º - Projetos Experimentais: "Os projetos experimentais compreenderão a produção, no último ano ou semestre do curso, de trabalho relacionado com a habilitação específica (...) sempre realizado nos laboratórios da própria escola."  

    Percebemos que metade das agências pesquisadas, entendem como laboratórios os locais onde os acadêmicos desenvolvem qualquer tipo de experimento científico, dando embasamento prático ao aluno dentro da escola. Encontramos nas instituições de ensino superior, entrevistadas alguns tipos de laboratórios. Alguns deles: laboratório de opinião pública, laboratório de foto, laboratório de rádio, laboratório de tele, agências experimentais, laboratório de informática, laboratório de edição, entre outros.  

    Poderíamos compreender como laboratórios, estes citados acima, capazes de oferecer estrutura, proporcionando a produção do projeto experimental dentro da própria escola, como diz a Resolução n° 02/84 do CFE, sem ser necessariamente na Agência Experimental de Relações Públicas. Inclusive pela ótica de que o projeto experimental deve ser desenvolvido dentro dos laboratórios da própria escola, o conceito de Projeto Experimental, assumindo indiretamente, sugere que a Agência Experimental é um laboratório.  

    Assim questionamos se esta agência que assumiu o conceito de Projeto Experimental, realiza um projeto experimental ou se configura como um laboratório como afirma a Resolução n° 02/84 do MEC?  

Modelo V: Atividades de Pesquisa Extensão e Ensino
Uma das doze agências pesquisadas, quando questionadas sobre o que é uma Agência Experimental de Relações Públicas disse ser uma atividade de pesquisa, extensão e ensino.
 

    Esta única agência possui um professor responsável e suas ações mais desenvolvidas são: organização, execução e avaliação de eventos, projetos de complementação acadêmica, e atendimento e criação de planos envolvendo o público interno.  

    Seus públicos são: interno e externo.A universidade corresponde ao público interno, e o público externo, são os clientes reais. Esta Agência Experimental não é cadeira obrigatória. Sua infra-estrutura conta com um computador, uma scanner, uma impressora e um zip drive.  

    Esta agência trabalha com os conceitos de Pesquisa, Extensão e Ensino como representantes das principais atividades de uma agência experimental. Estes conceitos de acordo com vários autores, evidência a indissociabilidade dos três como um novo diálogo interdisciplinar. Para o professor Silvio Botomé, os três conceitos formam o tripé do ensino universitário e qualquer curso de graduação precisa estar atento a eles para oferecer aos seus acadêmicos uma formação humanística e tecnológica, mas também adaptada ao mercado de trabalho.  


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