Para Entender RP/RP em Expressão  


Protocolo e Segurança, por Inês Drumond* 

    O incidente ocorrido no Rio de Janeiro no último dia 7 de dezembro, envolvendo as duas maiores autoridades do Judiciário no País, assaltados na linha vermelha, merece no mínimo preocupação. A presidente e o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie e ministro Gilmar Mendes, estavam em missão oficial naquela cidade quando foram surpreendidos por assaltantes armados, pondo suas vidas em risco.

    Situação semelhante já havia ocorrido outras vezes, outras vidas foram postas em perigo. Neste caso os atores são novos; o filme, antigo. O que os diferencia? Os cargos que ocupam, este é o ponto e faz toda a diferença.

    Quando tratamos de autoridades o planejamento é diferente; existe uma estrutura montada, treinada, com pessoal capacitado para atendê-las nas mais diversas atividades. O protocolo exige do cargo esta assessoria. O episódio ocorrido poderia ter sido evitado. Tomam-se precauções por todos os lados, as atribuições são delegadas. No caso de deslocamento de autoridade para outra cidade, o cerimonial faz a interface com as autoridades de lá, mantém o contato, sugere quem recebe no aeroporto, faz o roteiro e a programação da viagem, prevê os acontecimentos. A segurança faz a precursora, seus agentes viajam dias antes para fazerem o reconhecimento dos locais a serem visitados, agem com margem de previsibilidade segura, solicitam reforços locais, alteram trajetos e os meios de transporte, se necessário for. Mantêm comunicação permanente com seus rádios, aconselham, cuidam, protegem. No caso específico da presidente do STF, pode-se solicitar a assessoria e proteção da Polícia Federal. É seu direito. Isto é a rotina, tem que funcionar.

    A reação serena da ministra Ellen Gracie não minimiza a gravidade dos fatos, haja vista a determinação do ministro da Justiça de abrir inquérito policial para esclarecer o que realmente aconteceu.

    Ficou a sensação de que a comunicação falhou. O incidente poderia ter tido final trágico, felizmente as vidas foram poupadas, mas a agressão sofrida é fato consumado. Faltaram os interlocutores, esqueceram-se do planejamento estratégico, neste caso, os meios justificam os fins.


     * Inês Drumond Marques é Assessora de Cerimonial e Assuntos Internacionais do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília - DF. E-mail: idrumond@tse.gov.br .

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