Comunicação ocupando espaço vazio, por Franciane Ferreira* O homem traz em si o instinto de proteger-se de tudo aquilo que o ameace. No contexto das grandes cidades a multidão é como um estranho para nós e, por isso, ameaça-nos, então, isolamo-nos cada vez mais na chamada “selva de pedra”. Somente nos sentimos protegidos quando estamos em um grupo com o qual nos identificamos.
Com o aumento da densidade demográfica perdeu-se a noção de vida em grupo, de ajuda mútua, como se via nas pequenas comunidades da Antigüidade e ainda se vê em lugarejos distantes das grandes metrópoles. Isso faz com que o homem no meio de desconhecidos tente passar incógnito, pois sente-se, sempre, um alvo a ser atingido. Ele busca, também como forma de proteção, pessoas que se assemelhem ao seu modo de pensar, de vestir e surgem então as tribos e as amizades.
Percebendo essa constante busca da humanidade, na contemporaneidade, de proteção e identificação, os detentores dos meios de comunicação tentam cada vez mais identificar seus públicos com suas mensagens, que podemos muito bem chamar de ideologias. As produções midiáticas estão saturadas de conceitos que traduzem a realidade, para que seus telespectadores, ouvintes ou leitores creiam que o mundo é apenas um prolongamento desses meios, dessa forma, talvez o homem não se sinta isolado no meio das massas e, consuma e aceite, cada vez mais o que fazem e dizem os meios de comunicação.
Para alguns autores o que temos hoje é uma indústria cultural, que pôs fim em todo particularismo artístico existente, essa pré-determina as categorias de produtos para cada tipo de pessoa, não deixando ao consumidor a chance de escolher e até mesmo tolindo a sua imaginação, a sua fantasia,o seu pensamento crítico.
O homem no meio das massas tornou-se de fácil manipulação. Quem sabe o medo de estar só e a busca por “um igual” explique a transformação da sociedade em uma sociedade midiática. Queremos crer em quem teoricamente detém a verdade, em quem nos apresenta pessoas iguais a nós, situações iguais as que passamos e que trazem “idéias inteligentes” para o nosso dia-a-dia.
Em meio à multidão o melhor amigo do homem muitas vezes é o seu computador, a Internet, o jornal que ele lê diariamente, o filme que o distrai. Mal sabe ele que estão todos esses carregados de ideologias, mas quem não acredita no seu melhor amigo?
![]() |