Para Entender RP/RP em Expressão  


Diploma garante qualidade profissional?, por Franciane Ferreira* 

    A área da Comunicação Social está carente de comunicadores críticos capazes de refletir e analisar seus problemas. Para desenvolver no profissional um conhecimento histórico acerca das sociedades e dos indivíduos que leve a essa reflexão crítica é preciso que ele tenha passado pela universidade e "vivido-a", acima de tudo. Daí, destaca-se a importância da graduação para um comunicador.

    Uma das últimas discussões na área de comunicação sobre formação acadêmica foi quanto a necessidade de diploma para exercer o jornalismo. Nós, estudantes de comunicação, sabemos que um bom jornalista não se faz apenas com um texto coerente e alguns conhecimentos técnicos de edição de imagens, editoração de textos, locução; um bom jornalista precisa, acima de tudo, exercer a ética, ter consciência crítica para pensar as questões da sociedade, consciência essa que só se adquire na academia com muito estudo sobre Filosofia, Sociologia da Comunicação, entre outras disciplinas teóricas.

    Mas, ao salientarmos que só a universidade pode formar esse comunicador completo que tenha o embasamento teórico aliado ao conhecimento prático, temos que admitir, paradoxalmente, que a maioria das instituições de ensino superior não dão essa formação a seus acadêmicos. Os Cursos de Comunicação voltaram-se à formação tecnicista e ao mercado, muitos cursos extinguiram de seus currículos disciplinas teóricas tradicionais, como as já citadas neste texto, ou as transformaram em optativas e deram maior ênfase as disciplinas práticas. O que Hélgio Trindade chama de "missão social" da universidade, ou seja, "formar profissionais polivalentes, com atuação ampla e sentido crítico", foi diretamente atingido, pois cada vez mais as instituições atendem aos instintos do mercado de trabalho.

    Para o professor Antônio Albino Rubim, a universidade deve extravasar a sala de aula, dar ênfase à pesquisa e à extensão, promover conferências, estudos orientados, oficinas e romper de uma vez por todas com famoso "pacto de mediocridade", onde os professores não se interessam em ensinar e os alunos não fazem questão de aprender, para que os quatro anos de vida acadêmica valham a pena. Dessa forma, teremos a universidade ideal e ficará ainda mais clara a necessidade da formação acadêmica.

    Com todas essas colocações sobre a qualidade dos Cursos de Comunicação parece não fazer sentido dizer que um comunicador deve ser graduado, mesmo assim é na universidade que ele poderá conhecer como funcionam as estruturas vigentes na área da comunicação_ seus monopólios e ideologias_ e tornar-se consciente da necessidade de mudanças e da prática da comunicação com ética. Só a academia pode fornecer bases sólidas para a formação de um comunicador crítico que possa, como diz Adriano Boaventura: "intervir no processo histórico presente e na determinação da história futura".


     * Franciane Ferreira é universitária do Curso de Comunicação Social - Habilitação em Relações Públicas da Universidade Federal de Santa Maria/RS. E-mail para contato direto: fran.facos@pop.com.br .

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