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A antropóloga Lívia Barbosa, da Universidade Federal Fluminense, foi uma das grandes sensações do 8. Mix Aberje neste final de fevereiro. Mesmo fechando uma maratona de palestras, manteve o público atento e recebeu longa sessão de aplausos. Ela começou pontuando que focos em sua disciplina de estudo passaram da carência e da marginalidade para a análise de quaisquer grupos humanos em suas interações contemporâneas, e neste caminho as empresas são preponderantes. "Elas se mostram como a instituição mais dinâmica da sociedade moderna, por conta de sua necessidade de adaptação permanente", explica.
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Lívia comenta que, como os significados são contextuais, dependendo de quem emite e de quem recebe, é muito difícil precisar as reações de um processo de comunicação. Todavia, há uma tendência no Brasil de supremacia da oralidade e das relações pessoalizadas, em que atividades em grupo são formadas pelo prazer existencial, sem foco em objetivos. E isto traz grandes repercussões: inadequação para ler rótulos e manuais de instrução, falta de resultados em reuniões, recusa da formalidade e até do tom oficial escrito, dificuldade de assimilar recursos autodidatas e atitudes "faça você mesmo". Esta situação pode vir a ser alterada pela web 2.0 e seus sistemas colaborativos, que desenvolvem esta aptidão. Uma permanente teoria da conspiração e o estigma que se incorpora a quem acredita nas comunicações oficiais explícitas são outros pontos derivados da nossa cultura, o que explica a desconfiança nas autoridades e nas instituições e mostra a importância da transparência permanente para não gerar mais motivos para questionamentos. Neste caminho, a informação ampla precisaria circular.
Nos processos de mudança, como fusões e demissões, há uma redefinição da realidade que deve ser muito cuidada. Como ninguém se relaciona neutramente com o trabalho, porque é uma relação que encerra muitas emoções, até mesmo transferência de setor causa impactos fortes. A antropóloga alerta: "também nestes casos se percebe que é muito comum as pessoas não saberem em que ponto estão inseridas, e quanto são importantes para a organização, e isto deve ser clareado". A extrema hierarquização e autoritarismo da sociedade brasileira, em que regras não funcionam para todos e existe mais uma anuência formal do que compreensão ou concordância das equipes, leva a um panorama que prejudica a comunicação. E constata: "aqui não se discute com o chefe, não se estimula o debate. Se o faz, é visto como posição pessoalizada".
TENDÊNCIAS
Lívia aponta uma tendência de anulação de diferença entre empresa, produto e serviço, todos assinando a logomarca da corporação, que se explicita e se mostra responsável por sua atuação, surgindo uma comunicação institucional muito mais forte.
A separação entre comunicação institucional ou mercadológica dos serviços de atendimento ao consumidor é algo que deve acabar. Do contrário, na opinião da estudiosa, vai derrubar a credibilidade de qualquer projeto empresarial, afinal os SAC's no cotidiano das pessoas dizem muito mais de uma empresa do que as comunicações oficiais.
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