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DICAS PARA UMA COMUNICAÇÃO EFICIENTE Uma comunicação eficiente depende da
existência e do aperfeiçoamento contínuo de uma série de atributos
pelo orador. A idéia deste resumo é registrar algumas considerações
sobre estas características desejáveis, apontando caminhos e sinalizando erros
mais comuns para serem evitados durante a fala.
CREDIBILIDADE: é transmitir informação que seja aceita pelos ouvintes. A
aceitação é um processo que envolve compreensão e confiança,
atingindo o convencimento. Nela interagem:
- Naturalidade, que nada mais é que a espontaneidade, o ritmo da fala praticada dia-a-dia
junto dos amigos e familiares. Artificialismos são fáceis de perceber pela
platéia e geram desconfiança de propósitos e barreiras sérias a
sua linha de argumentação.
É preciso entender a diferença imensa de quem está na frente da
platéia disposto a conversar e quem vai falar em público. Mas há um
detalhe: ser natural não significa levar ao auditório erros e negligências
da comunicação cotidiana – concordância, plural, conjugação
verbal, etc.
Os defeitos de estilo e as incorreções de linguagem precisam ser combatidos com
estudo, experiência, disciplina e trabalho persistente. Trata-se de um aperfeiçoamento
contínuo de dicção, postura, gestos e vocabulário, sempre buscando
desviar-se ao mínimo das características pessoais.
- Emoção, que é envolvimento, revela-se pelo entusiasmo com que se dedica
a um objetivo, que defende uma idéia. A proposta é interpretar a própria
verdade, transmitindo-a com a força da importância que representa. Cuidado para o
fato de que não é apenas o choro uma demonstração de emotividade,
sendo considerado em discursos uma manifestação de nervosismo e descontrole.
- Conhecimento, somente se é natural e emocionante num dado pronunciamento, se
efetivamente demonstramos dominar o assunto tratado. Embasamento em informações
concretas é a forma de diferenciar-se do mero "falador", que possui desembaraço
mas claramente não acrescenta dados.
É aconselhável ter sempre mais informações do que aparentemente
será necessário repassar. Leitura, estudo, pesquisa, observação
ativa e pessoal colaboram nesta proposta. Tudo deve ser processado e, de forma
esquemática, relembrado constantemente antes da fala propriamente dita.
- Conduta Exemplar, palavras encontram respaldo dependendo da postura do orador e, na maioria
dos casos, de seus próprios atos frente ao tema exposto. É preciso ter-se
consciência de que comunicamos involuntariamente com o corpo, os olhos, os gestos, os
suores, o tom de voz, a roupa, o estilo do cabelo, uma série de predicados e defeitos
que contradizem por vezes o pensamento proferido.
VOZ: é o resultado da articulação de partes dos aparelhos digestivo e
respiratório, o que acaba por movimentar todo o organismo que funciona e se expressa
por meio da voz. Por isso que através da fala é nítido o nervosismo, a
pressa, a hesitação, quando estes componentes psicológicos e seus
contrários estiverem presentes. Devemos então conhecer:
- Respiração, constituída de
inspiração e expiração, deve ter seu fluxo completamente normal
para fazer vibrar as cordas vocais e produzir voz. Quanto mais aproximado for o som ouvido no
gravador da voz que toda pessoa se atribui, mais eficiente está sendo feito este
processo. Várias técnicas são desenvolvidas por fonoaudiólogos
para esta conquista.
Diz-se que a voz mais natural é aquela projetada
na parte que vai da sobrancelha até a boca, numa concentração e
emissão de ar sem esforço. Um teste comum é cantar com a boca fechada uma
determinada melodia e sentir vibração no nariz e próximo da boca, pontos
onde o ar deve ressonar com a mesma intensidade.
- Pronúncia, é fácil acomodar-se com
familiares e amigos e passar a omitir sons de sílabas ou até palavras inteiras.
Boa pronúncia é ser mais bem compreendido e aumentar credidilidade. Quem não
se admira sem receio com a pessoa de fala clara, bem pontuada, com assuntos relevantes e nela
credita sua confiança e respeito?
Entre os sons mais negligenciados estão os "erre"
finais e os "i" intermediários (pegá-pegar, jardinero-jardineiro), além
da simplificação de algumas palavras (pra-para, pcisa-precisa, tamém-também)
e do deslocamento de letras (cardeneta-caderneta, estrupo-estupro). A providência é
uma auto-análise profunda em direção a identificar suas imperfeições,
incluindo as gírias em geral e sobretudo as restritas a segmentos específicos
(idade, profissão), mas jamais perder a naturalidade em situações
intermediárias desta aprendizagem.
- Volume, cujo ideal é sempre o adequado ao ambiente,
`a existência de microfone e qualidade de sonorização, `as condições
acústicas. Analisar estes detalhes é determinante para estabelecer o melhor tom.
Voz baixa gera desatenção; voz alta, irritabilidade.
- Velocidade, a respiração, a pronúncia
e a emotividade de cada pessoa determinam a rapidez ou lentidão da voz. Também
interage nesta parte a característica da mensagem comunicada: a frase "sou comunicativo,
estou sempre rodeado de amigos, não páro nunca de me movimentar" dita de jeito
lento, não comunica com coerência e veracidade. Só que a naturalidade deve
ser preservada, então:
. se você fala rapidamente e deseja permanecer assim,
procure pronunciar cada vez melhor cada palavra, crie o hábito de repetir as informações
importantes pelo menos duas vezes, com termos diferentes, para que o público entenda bem;
. se você fala lentamente, e sente-se bem neste estilo,
procure olhar para o auditório durante as pausas Ao reiniciar, pronuncie com ênfase
e energia as três primeiras palavras para recapturar eventuais atenções
perdidas e dar idéia de que durante sua sentença anterior, falada lentamente,
você estava refletindo, o que valoriza muito o silêncio.
A propósito do último parágrafo, a
alternância de volume e velocidade da voz tendem a causar boa impressão na platéia,
desde que se mantenham requisitos de boa pronúncia. Mas as pausas, veja bem, não
devem ocorrer a cada palavra ou grupo de três palavras, porque pode inspirar desconcentração
ou falta de conhecimento sobre o que se fala.
- Ênfase, as palavras adquirem sentidos distintos a
partir da forma de pronúncia em relação `as demais da mesma frase. A idéia
é, nos momentos considerados oportunos, pôr nas palavras a inflexão de voz
e o sentimento respectivo. Esse destaque auxilia a comunicação e pode ser feito
com vários recursos (intensidade, pausa silábica, ou entremeio de pausas).
- Sotaque, a fonética na Língua Portuguesa estabelece a forma correta da pronúncia
dos sons e palavras. Entretanto, num país continental e miscigenado como o Brasil,
é natural o sotaque. Não se deve procurar escondê-lo, desde que as pessoas
entendam perfeitamente suas frases e o uso do sotaque não venha a interferir na
credibilidade do orador, o que depende do tipo de platéia ouvinte.
- Uso do microfone, sejam com pedestal, seguros na mão ou de lapela, a posição
ideal para falar é 10 centímetros da boca, abaixo na direção do queixo.
Não se deve dirigir o olhar ao instrumento, exceto nos primeiros segundos da fala
para posicionamento, ou na eventualidade de ter que virar o corpo para enxergar uma parte
lateral da sua platéia.
Os pedestais são flexíveis e normalmente
regulados com ajuda da equipe do evento. Se segurado com a mão, deve ser posicionado
com a distância já referida, e deixado descansado junto com o braço em
momentos breves de intervalo (quando alguém faz pergunta; quando outro orador responde
a sua questão; quando há alguma interrupção qualquer), sempre
cuidando o tremer do corpo e os gestos que não podem afastar o microfone da boca para
não perder qualidade de som. Os sistemas de lapela são fixados por um
técnico e basta o cuidado de não baixar o rosto por algum motivo, porque a maior
proximidade com o aparelho ultra-sensível aumenta consideravelmente o volume da voz.
Com ele, comentários paralelos com outros oradores são impraticáveis.
Vocabulário, é a quantidade e qualidade
de palavras conhecidas pelo orador, que vai facilitar a desenvoltura, clareza e sucesso de um
pronunciamento, da expressão de idéias, da articulação do
raciocínio em frases.
A amplitude deste repertório-base, conquistada com
muita leitura, testes de substituição de palavras de um texto por sinônimos
, análise de discursos e atenção a tudo que for ouvido, diferencia as
pessoas, notadamente se souber ser aproveitada na expressão oral.
Devem-se evitar ao máximo, estando-se na frente de
uma platéia desconhecida em seu todo, as gírias e os palavrões, assim como
ditados populares e chavões. Raros casos tem espaço apropriado para esta parte do
vocabulário. Ressalva igual precisa ser feita em relação aos termos
incomuns e/ou técnicos. Podem até ser pronunciados, mas imediatamente contornados
e explicados ao ouvinte supostamente leigo.
Outro ponto importante a ser evitado, mesmo para quem
detém farto vocabulário, são os tiques e maneirismos entre palavras ou
frases, como "né?", "hããã", "huummm", "tá?", "entendeu?".
São ruídos mais típicos de quem não sabe que palavra usar ou de
quem termina uma frase com tom de voz não conclusivo e acaba-se perdendo no discurso.
Expressão Corporal, é o movimento do
corpo, o jogo fisionômico, o olhar, os gestos que fazem a comunicação
não-verbal e acompanham a fala. Segundo psicólogos, a transmissão de
uma mensagem é 7% palavra, 38% voz e 55% expressão corporal.
Atitudes desaconselháveis neste campo são:
. falar com mãos nos bolsos;
. colocar as mãos entrelaçadas nas costas;
. apoiar os braços sobre a mesa;
. cruzar os braços;
. fazer gestos abaixo da cintura e acima da linha da cabeça;
. executar gestos involuntários, como coçar a cabeça, mexer no cabelo,
mexer em alianças e pulseiras, brincar com canetas ou papéis sobre a mesa ou com
o fio do microfone em pé.
Ao falar sentado, evite cruzar as pernas em forma de "x",
esticar as pernas e jogar o corpo para trás, ou pender o corpo para um dos lados
apoiado no braço da cadeira.
Não se pode ainda negligenciar a força da
aparência, compondo roupa, sapato, acessórios (tecido, cor, combinação
harmônica, estilo, quantidade e qualidade, adequação `a estrutura corpórea).
Caso você tenha interesse em maiores informações
sobre o tema, consulte do escritor Reinaldo Politto as obras: "Como se tornar um bom orador e
se relacionar bem com a imprensa", "Como falar corretamente e sem inibições",
"Como preparar boas palestras e apresentações" e "Gestos e Postura para falar
melhor", entre outros lançados pela Editora Saraiva.
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