Para Entender RP/RP em Expressão  


A comunicação interna no processo de fusões e aquisições entre empresas,
por André Ferreira *
 

    Tornou-se realidade. Os processos de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras atingiram um patamar considerável. As atenções se voltaram para esse cenário (modelo de negócios) e grandes executivos se veem obrigados a seguir esta tendência para continuarem competitivos.

    Grandes players brasileiros entraram na dança das transações e despertaram a atenção da imprensa e de todos os públicos que com elas se relacionam. Empresas de consultoria com atuação global já analisam este cenário há algum tempo e apontam 2010 como um ano promissor. O grande acumulado de transações envolvendo o capital nacional nestes primeiros meses nos permite perceber que o Brasil já se recuperou da crise financeira.

    Este contexto nos leva - ou obriga - a pensar no papel da comunicação dentro destes processos. Quaisquer organizações que fundem, compram ou vendem os seus negócios passam por um processo de reestruturação e definição de novas diretrizes ou posicionamento no mercado. Isso abala emocionalmente e racionalmente todos os seus públicos, que tentam descobrir para onde serão direcionadas as atividades da empresa.

    Sendo assim, é primordial ter o apoio do público interno neste momento tão delicado, pois ele é quem vai colocar a mão na obra para implantar as mudanças. Para isso, é necessário alinhar o plano de comunicação interna com todas as outras ações de comunicação.

    Antes de anunciar a transação, a empresa tem de conscientizar os seus funcionários sobre os seus objetivos de crescimento, para que não interpretem a notícia de maneira negativa e sintam segurança quanto a sua importância naquele momento.

    A melhor maneira dos colaboradores saberem sobre as mudanças é pela própria empresa. Como muitos acordos são feitos sigilosamente, até como estratégia para surpreender os concorrentes, há um grande risco de a notícia sair na imprensa antes de circular internamente. Para não dar chance a especulações, é primordial que a alta administração se mostre preocupada com o envolvimento de seus colaboradores no processo. Para isso, o pronunciamento de algum executivo do alto escalão da empresa na hora certa se torna uma boa estratégia de comunicação interna.

    Após a conclusão e o anúncio da transação, é necessário compartilhar todo o cenário traçado para o futuro, tanto da empresa em geral como o de cada departamento - integração de sistemas, de equipes, de empresas, avaliação das finanças, etc. Os funcionários são essenciais nesta nova jornada, mas não estarão dispostos a ajudar a organização a alcançar seus objetivos sem antes saber quais são e até onde isso os beneficiará.

    Ou seja, cada "colaborador" deve saber a importância da sua função dentro da nova estrutura da organização e saber quais os objetivos dela com a mudança. Só assim reagirão positivamente e realmente "colaborarão" com a nova jornada.


     * André Raimundo Ferreira, estudante do último ano de Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo. Trabalho desde 2008 com comunicação externa, principalmente assessoria de imprensa, na PricewaterhouseCoopers, grande empresa de auditoria e consultoria em gestão de negócios. Lá, já desenvolve também ações de comunicação interna e marketing. E-mail: arferreira.rp@gmail.com .

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